Mourão afirma que o grande erro do governo foi a falta de orientação sobre a pandemia

O vice-presidente afirmou que não foi procurado pelo presidente para uma conversa sobre a reeleição

Nessa terça-feira (22), o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) afirmou, em entrevista ao jornalista Roberto D’Ávila, da GloboNews, que o governo errou ao não realizar uma campanha de comunicação firme para orientar a população desde o início da pandemia da Covid-19. “Esse governo foi um grande erro”.

Ele falou sobre campanhas de vacinação realizadas em outras épocas e disse que a população deveria ter sido orientada sobre a realidade. “Isso teria sido um trabalho eficiente do nosso governo”.

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O vice-presidente não desmentiu uma conversa que teria tido com o ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, em que teria criticado o colega de farda por não ter ido para a reserva ao ocupar um cargo político no governo de Jair Bolsonaro.

“Ele já tinha atingido o patamar mais elevado no Exército e era hora de passar para a reserva. Ele teria mais liberdade de manobra para trabalhar”, disse.

Mourão pediu para que seja compreendido que “Pazuello não é o Exército nem o Exército é o Pazuello, apesar dele ser um militar”.

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De acordo com ele, o fato de o general ter sido ministro da Saúde não significa uma intervenção do Exércio no órgão. Ele comparou a situação à intervenção militar no Rio de Janeiro, em 2018.

“O Exército não foi escalado para controlar o Ministério da Saúde. O presidente escolheu o Pazuello, que casualmente levou 10, 12 doze militares para trabalhar com ele”, disse.

Mourão afirmou que não foi procurado por Bolsonaro para uma conversa sobre reeleição e vê como motivo para a relação distante deles a desconfiança de que esteja se preparando para ocupar o lugar de Bolsonaro, o que nega.

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Para Mourão, é normal ter ideias e defende-las, mesmo que depois seja voto vencido. “Sempre trabalhei dessa forma”, afirmou. “A gente podia melhorar o nosso relacionamento em cima disso aí. Entender que eu não estou a fim do cargo dele”.

Mourão disse que o seu plano é chegar até o dia 31 de dezembro de 2022 como vice-presidente de Bolsonaro. Sobre o futuro político, disse que no momento está em cima do muro.  “Estou aguardando, dando tempo ao tempo”. 

Mourão afirmou que a sua principal lealdade é à Constituição brasileira. “Prestei um juramento quando fui empossado. Mas eu não vejo hoje, apesar de todas as turbulências, que em algum momento o nosso governo e em particular a pessoa do presidente Bolsonaro tenha atravessado aquele rubicão, aquela linha-limite de alguma atitude que seja prejudicial à nação como um todo”.

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