Cerimônia de diplomação do presidente eleito, Jair Bolsonaro, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). À esquerda, o vice, general Hamilton Mourão.

Mourão nega interferência na Petrobras: “questão de confiança”; e que mercado é “rebanho eletrônico”

Jair Bolsonaro decidiu indicar o general Joaquim Silva e Luna para comandar Petrobras após altas dos combustíveis

Nesta segunda-feira (22), o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que a troca no comando da Petrobras não foi uma intervenção do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas de uma “questão de confiança”.

Mourão falou ainda a respeito da desvalorização das ações da Petrobras. Para o vice-presidente, o mercado é um “rebanho eletrônico” e a mudança não irá prejudicar a companhia, já que o general da reserva Joaquim Silva e Luna, indicado por Bolsonaro, é um “camarada extremamente preparado”.

“Não pô [não é uma intervenção], tá dentro das atribuições do presidente. O mandato do Roberto [Castello Branco] terminava dia 20 de março, poderia ser renovado ou não e a decisão é não renovar. Não vejo forma de intervir nos preços, até pela própria legislação que rege a companhia, que é o que está sendo comentado muito, não vai haver isso. É uma questão de confiança na pessoa que está lá, que o presidente colocou”, justificou.

Perguntado se faltava confiança do presidente em Castello Branco, o vice-presidente respondeu que talvez tenha faltado comunicação.

“De 1º de janeiro pra cá, o petróleo aumentou 25%, fruto do inverno mais frio do Hemisfério Norte, e a turma lá queima petróleo para poder se aquecer. No Hemisfério Norte a história é diferente, daí o preço flutua com essas condições internacionais”, disse. “Na minha visão, a solução pra isso seria se a gente conseguisse criar um fundo soberano com base nos royalties do petróleo, e esse recurso, quando tivesse essas flutuações, fosse utilizado para reduzir esse aumento”, completou Mourão.

Alta dos combustíveis

A troca no comando da Petrobras foi anunciada após Bolsonaro fazer reclamações públicas sobre o aumento no preço dos combustíveis nos últimos meses.

O litro da gasolina nas refinarias acumula de 34,78% desde o início do ano. O diesel subiu 27,72% no mesmo período.

Mourão negou que a troca signifique interferência de Bolsonaro na política de preços da Petrobras.

Para resolver o problema, Mourão sugeriu a criação de um fundo, abastecido com dinheiro dos royalties de petróleo, que seria usado para compensar eventuais altas dos combustíveis.

“Na minha visão, a solução para isso é se a gente conseguisse criar um fundo soberano com base nos royalties do petróleo. E esse recurso, quando houvesse essas flutuações, fosse utilizado para amortecer os aumentos. Não tem outra solução fora disso aí”, afirmou.

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