Mulher de Moro pede que STF reconsidere decisão de dar a Lula acesso a mensagens hackeadas do ex-juiz sobre a Lava Jato

As mensagens foram obtidas por hacker preso em operação da Polícia Federal em 2019. Lewandowsky havia autorizado Lula a acessar o conteúdo hackeado para reforçar tese de parcialidade de Moro na condução da Lava Jato

Em uma tentativa de derrubar a decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a acessar as mensagens obtidas na operação Spoofing, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com o pedido de reconsideração do compartilhamento do material.

O ex-ministro Sergio Moro recorreu ao STF a fim de revogar a decisão do ministro. No pedido ao Supremo, o ex-juiz é apresentado nos autos por sua mulher, a advogada Rosangela Wolff Moro. As mensagens em questão foram obtidas pelo hacker Walter Delgatti, preso pela Polícia Federal na operação em 2019.

O material faz parte de uma ação penal que tramita desde 2019 na Justiça Federal de Brasília contra o grupo de hackers acusado de vazar as mensagens de autoridades do MPF, do judiciário e de outros Poderes.

O ex-presidente Lula reivindicava cópia das conversas para reforçar a acusação que fez contra Moro de parcialidade na condução da Lava jato. Em diferentes recursos enviados aos tribunais nos últimos anos, ele tenta provar a suspeição de Moro.

Rosangela Moro, que acionou o Supremo, alega que a decisão de Lewandowski foi um drible da defesa de Lula em Fachin. No entendimento da advogada, caberia ao ministro, que é relator da Lava Jato no Supremo, decidir sobre o caso.

Ela afirma que “não há prova de autenticidade das mensagens” e que elas poderiam “ter sido adulteradas antes de sua apreensão pela Polícia Federal”. Um dos documentos obtidos pela defesa de Lula trata-se de uma perícia de 50 páginas feitas nas mensagens atribuídas a Moro e ao ex-coordenador da força-tarefa.

“As perícias ali realizadas apenas confirmam que as mensagens foram objeto de busca e apreensão nos computadores dos hackers, mas não há demonstração de que não foram corrompidas após terem sido roubadas dos celulares dos Procuradores da República”, alega Rosângela Moro.

Operação

A operação Spoofing, que prendeu quatro suspeitos de hackearem o aplicativo Telegram dos celulares de Moro, detalhou a forma como os investigados se aproveitaram de uma “vulnerabilidade da rede de telecomunicações comum a todos as operadoras”.

Segundo a PF, os suspeitos, para ter acesso ao Telegram, teriam o código de acesso que é enviado aos usuários do aplicativo. De acordo com a PF, a chave de acesso pode ser recebida por chamada telefônica.

Os suspeitos teriam feito “diversas ligações para o número alvo” para que a linha ficasse ocupado e o código de ativação do Telegram fosse direcionado para caixa postal da vítima.

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