Forças Armadas promovem ação de desinfecção no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), uma das medidas adotadas para prevenir a contaminação pelo novo coronavírus

Nesta quinta-feira, o Brasil atinge a marca de 400 mil mortos por Covid-19

O avanço rápido da Covid-19 coincide com o colapso do sistema de saúde registrado em vários estados do país

Nesta quinta-feira (29), o Brasil atingiu a marca de 400 mil mortes por Covid-19. Para especialistas, os óbitos diários e índices de mobilidade crescente aumenta o risco de o país ter uma terceira onda da pandemia antes de atingir a imunidade de rebanho pela vacinação. Além disso, já são mais de 14,5 mi de casos da doença confirmados.

Para cientistas especializados em epidemiologia e virologia ouvidos pelo Estadão, a reabertura das atividades econômicas antes de uma queda sustentada de casos, internações e mortes favorece que as taxas de transmissão voltem a crescer, com risco maior do surgimento de nova variantes.

“Nos níveis em que o vírus circula hoje, esse período entre picos pode ser abreviado, sim. Já vimos esse efeito em algumas localidades na virada do ano. A circulação em níveis altos favorece isso”, diz o virologista Fernando Spilki, coordenador da Rede Coronaômica, força-tarefa de laboratórios faz o monitoramento genético de novas cepas.

No ano passado, o número de casos e mortes começou a cair entre julho e agosto para ter novo aumento a partir de novembro. Com o surgimento de uma nova cepa do vírus, a P1, em Manaus, colapsou o sistema amazonense em janeiro e provou uma crise sanitária em quase todos os estados do país entre fevereiro e março.

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Agora, o mais provável é que os índices se estabilizem em níveis elevados, com 2 mil a 3 mil mortes diárias, ou voltem a crescer, projeta o estatístico e pesquisador em saúde pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Leonardo Bastos.

“Agora era a hora de segurar mais, fazer uma reabertura mais lenta e planejada. Esse aumento de mobilidade e contato entre as pessoas pode levar a uma manutenção do número de hospitalizações em um patamar super alto, o que é péssimo, porque sobrecarrega o sistema de saúde. Do jeito que está, a questão não é se vai acontecer uma nova onda, mas quando”.  

O epidemiologista Paulo Lotufo, professor da faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), descarta, mesmo com a queda dos casos, que o Brasil está longe de vislumbrar um controle da pandemia.

“Houve arrefecimento do número de casos e mortes pelas medidas de distanciamento social realizadas às duras custas. No momento, o retorno às outras fases de distanciamento é preocupante, principalmente na próxima semana, com aumento da procura de lojas pelo Dia das Mães e, também pela frequência maior de encontros sem a proteção necessária, como já aconteceu no Natal”, alerta.

Os especialistas acham improvável que a imunização consiga contemplar a maioria da população antes de uma nova onda. “A vacinação segue lenta, com interrupções e falhas de esquema, como falta de doses para reforço, o que é mais um complicador no que tange a frear a disseminação e evolução de variantes”, comenta o virologista.

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