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Interferência de Elon Musk

Além de ruim em si a ação por querer liberar tais perfis no contexto inserido, ainda é uma afronta direta às instituições brasileiras e especialmente uma violação a soberania nacional. Afinal não sendo brasileiro nem tendo poderes determinados para agir desta forma Elon Musk tenta passar por cima de todos, se baseando apenas em seu dinheiro e influência.

26/04/2024 às 12h36
Por: Pedro Fagundes de Borba
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X ( antigo Twitter); wikimedia commons
X ( antigo Twitter); wikimedia commons

Algumas semanas atrás, o bilionário americano Elon Musk, um dos homens mais ricos do mundo, usando de sua influência e poder, tentou fazer interferência no Brasil e nas leis brasileiras. Um ato que em si já começa completamente errado, uma vez que este, por não ser nem brasileiro nem jurista, ainda mais em tentativa de violar as leis e, por ser estrangeiro, violar a soberania e o poder nacional. Como parte do inquérito das Fake News, comandado já há alguns anos por Alexandre de Moraes, há certa regulamentação das redes sociais, algo comum e presente no mundo todo, para impedir a proliferação e a difusão de discursos de ódio, algo bastante perigoso e nocivo.   

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Em relação a este tópico, propriamente, é um ponto importante de se avaliar e conter. Uma vez que tais discursos insuflam e inflam sentimentos especialmente antidemocráticos e de perseguição. Especialmente por difundir mentiras e aumentar fatos, criando visões distorcidas e errôneas do outro ou de suas ideias. Isso é muito feito em relação à esquerda a qual, nos últimos anos, vem fortemente sofrendo ataques e difamações fortes em redes sociais, bem como distorção de suas ideias ou pensamentos. Por tais cenários, para evitar perseguições e escalonadas de mentiras, certa regulamentação é feita.

Neste cenário, já de alguns anos, alguns perfis no Twitter (atual X após ser comprado por Musk) foram bloqueados por ficarem continuamente e insistentemente propagando e divulgando tais fake news, causando os prejuízos citados. A energia por isso gerada foi também um dos fatores cruciais para a tentativa de golpe de estado em oito de janeiro de 2023. O que Musk ameaçou fazer via X mesmo, seria a liberação de tais contas, fazendo com que o discurso voltasse a se proliferar, novamente causando as ondas de mentiras e o insuflar de golpe de estado e corrosão das instituições. Com isso começou uma rixa e uma pequena briga com o STF, que conduz o inquérito das Fake News, que bloqueou tais perfis, fazendo regulamentação. 

Além de ruim em si a ação por querer liberar tais perfis no contexto inserido, ainda é uma afronta direta às instituições brasileiras e especialmente uma violação a soberania nacional. Afinal não sendo brasileiro nem tendo poderes determinados para agir desta forma Elon Musk tenta passar por cima de todos, se baseando apenas em seu dinheiro e influência. O que, caso ocorresse lhe daria um poder de interferência direta no Brasil, enfraquecendo sua força e lhe deixando a mercê de Elon. Por enquanto, ao que tudo indica a interferência não avançou tanto, pelo menos não publicamente. Pois a empresa X diz que continuará seguindo as determinações do STF e as leis brasileiras, o que é o mínimo quando em território brasileiro.   

Não se pode relaxar ou baixar a guarda em relação a este assunto, pois é um risco permanente. No entanto podem-se ver alguns aspectos sobre este caso que precisam ser levantados. Além da direta afronta ao funcionamento da instituição brasileira, também vemos a hipocrisia direta de Musk em termos de discurso. Ao afirmar fazer defesa de liberdade, tenta manobras para dominar e enfraquecer as forças brasileiras. O que ironiza em respeito de 2019, quando apoiou o golpe na Bolívia dizendo que EUA iria golpear quem quisesse. Seria apenas mais uma tentativa do bilionário dominar um espaço. Não menos irônico é o foto de EUA querer banir Tiktok por este ser chinês, o que EUA não aceitaria por sua inimizade com a China. São hipocrisias e jogadas políticas para se conseguir poder.

 Tal situação expõe ainda uma fragilidade política brasileira e talvez, junto com a eleição do Milei na Argentina, possa ser um sintoma, um sinal de reorganização e volta da extrema direita no mundo. Enquanto caso ainda é essencialmente apenas uma afronta, quase um desafio a política e soberania brasileira. Isto gerou apenas alguns embates, talvez vire algo maior, mas ainda é algo fraco, mas que faz parte do pânico moral e da tentativa de controle que extrema direita tenta ter. Algumas instituições mantém sua força perante isto, mas sem cuidado podem perder. O sentimento de defesa da soberania nacional e principalmente o enfraquecimento da moral de Musk precisará se fortalecer para que haja maior paz e melhoras ao Brasil.  

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