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A política das enchentes

Embora Leite tenha enfatizado não ser o momento de apontar culpados, ele precisam ser mostrados e apontados sim. E um dos principais é o próprio Eduardo Leite.

10/05/2024 às 13h32
Por: Pedro Fagundes de Borba
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Governador Eduardo Leite; Foto: reprodução
Governador Eduardo Leite; Foto: reprodução

 Embora tenha tido alguns momentos em que assim agiu, nos quais houve bons crescimentos, o estado no Brasil não é um ente planejador e coordenador. Na maior parte de sua história, mais concentrado do século XIX para cá quando houve uma forte mudança nas relações sociais e econômicas do mundo, o estado brasileiro pouco agiu como alguém que tivesse um forte planejamento ou ações e políticas voltadas para a população brasileira. Sempre se fez o possível para encolher e minguar a capacidade do estado investir e planejar, assim deixando mais a míngua as estruturas sociais. Também se fez questão de se criar, sobretudo na classe média, uma antipatia pelos investimentos dos estados, os chamando de gastos e fazendo o povo supervalorizar o que seriam excessos desses gastos, tentando equiparar a economia do estado com as economias domésticas, das casas destas mesmas pessoas. Além de fazer muito uma associação de ser seu dinheiro, por causa dos impostos. Assim o Brasil ficou o país mais atrofiado, com um estado pequeno e pouco eficiente, diminuído pelos políticos, através dos plutocratas, sempre que possível. 

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No Rio Grande do Sul, durante a em curso governança de Eduardo Leite, a situação não é diferente. Foi eleito, conseguindo base popular inicialmente pela onda bolsonarista, falando que diminuiria o estado, em conjunto com um projeto nacional que estava muito em curso no momento, voltado para ações desta direção. E assim fez. Não apenas nos primeiros anos conduziu uma série de privatizações como também fez a flexibilização pontos nas leis de maneira perigosa. Principalmente as dizendo respeito a questões ambientais, facilitando mexer nestes pontos da lei, que falam sobre a sustentabilidade e a base dos sistemas humanos em contato e existência com os fatores naturais, do quais dependem diretamente. Por ter flexibilizado tais leis, facilitou grandemente a exploração desenfreada de recursos e um planejamento não sustentável destas áreas, tornando mais propenso a desastres, fazendo esses espaços cederem mais em momentos naturais violentos, aumentados pela interferência humana ou não. E, junto a diversos outros fatores, uma falta de planejamento e ação do estado já antiga nestas situações, proporcionou as inundações do estado ainda ocorrendo. 

 Agora está numa violência e força inédita em 2024, mas as de 2023, mesmo as de anos anteriores já serviam como aviso. Aviso de que o RS está desestruturado, sem um planejamento para prevenção, drenagem ou abrandamento da consequência das chuvas. O resultado foi o mesmo das outras inundações, mas elevado a milésima potência. Todos os problemas agora maiores, inclusive atingindo camadas sociais que até então tinham sido bem menos ou quase nada afetada: a classe média e a classe média alta. Isso não significa um rompimento dos fatores de classe ou que os sofrimentos tenham sido iguais. As diferenças prosseguiram, proporcionalmente o sofrimentos e problemas destes sendo muito menores. Mas foi num nível maior do que até então tinha acontecido. Pelas dimensões, serve como a grande tragédia, resultando numa perda absoluta para grande parte da população. 

Embora Leite tenha enfatizado não ser o momento de apontar culpados, ele precisam ser mostrados e apontados sim. E um dos principais é o próprio Eduardo Leite. Tanto por ter flexibilizado tais leis e facilitado este cenário quanto por ter sido um agente da diminuição do poder de ação e planejamento deste. Através do apoio as reformas feitas, as privatizações e por ter reduzido drasticamente as políticas públicas. Em conluio com a União que enfraqueceu o estado nacional, ele enfraqueceu o Rio Grande do Sul. A consequência é menos força de ação para política, tanto nacional quanto estadual. Entre outros fatores, isso mostra o porquê do estado e a União estarem agindo com menos agilidade do que deveriam nesta situação, ainda que não estejam ausentes, pois é impossível agir e planejar sem a presença do ente central da sociedade nestas situações. Caso o estado não tome uma atitude planejadora e se fortaleça, o RS seguirá fraco e sem capacidade de se proteger nestes momentos, apenas enxugando gelos quando o ruim acontece. É improvável, infelizmente, que haja um fortalecimento do estado, criando mais estruturas para evitar tais ocorridos. Não adianta falar em “Plano Marshall” para reconstrução, se não fizer uma ação e uma política de estado que faça tais ações, que reconstrua e estruture para prevenir futuras enchentes. Um planejamento estatal e políticas públicas serão fundamentais para as questões brasileiras.         
 

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SergioHá 2 meses Porto AlegreA visão capitalista deste jovem Governador é o exemplo a não ser seguido. Agora pouco adianta ficar fazendo carinha de choro; precisamos de uma forte liderança para emergir do fundo das águas, com toda certeza não é este burguesinho que vais nos retirar desta situação trágica.
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