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O povo e o estado

Pegando um pouco este povo, vale também à pena pensar a relação existente entre o estado e o povo. De certa maneira, o povo é um pouco o estado. Pois as relações sociais têm muitas raízes naquilo que é feito coletivamente, nas ações populares.

17/05/2024 às 13h25
Por: Pedro Fagundes de Borba
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Resgate; Flickr
Resgate; Flickr

 Agora com a histórica enchente no Rio Grande do Sul, sem parâmetros na história do estado, se têm observado uma grande movimentação popular, de pessoas se voluntariando para ajudar os necessitados, aqueles que mais perderam e foram atingidos pelas águas. Uma reação de solidariedade mecânica, baseada na visão da necessidade aguda, ainda mais agravada, que muitos estão passando. Aliada também a uma série de interesses, de jogadas e de alguns crescimentos que podem vir disto. Tanto de grandes, quanto de pequenos, veem chance de ter algum crescimento, de si enquanto indivíduo ou de algum grupo que participe.

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Como ação voluntária, é algo extremamente belo e importante, pois exerce um trabalho que fornece grande ajuda e auxilia as estruturas e as forças envolvidas. Infelizmente, há também males presentes nisto. Tanto ladrões que se aproveitam da fragilidade para roubar com mais facilidade, quanto uma enxurrada de fake news que são divulgadas para desmerecer, sobretudo as ações do governo. Se o governo, estadual e federal, merece muito ser criticado por ter deixado algo neste nível ocorrer, dando pouca atenção aos relatórios ambientais e as fragilidades das estruturas urbanas para eventos climáticos extremos como tais tempestades, quando isto é feito através da mentira e da distorção esta ferramenta é, de maneira mal intencionada, usada para deslegitimar ações e criar mentiras. A principal delas, divulgada pela direita, diz respeito tanto a uma suposta falta de ação do governo quanto de uma suposta inutilidade do mesmo, uma vez que, dizem, os voluntários estariam fazendo tudo. 

 As duas afirmações são mentiras porque distorcem e aumentam pontos do que ocorre. Se o governo, até por estar com um estado com bem menos estrutura do que devia, não está agindo tão rápido e eficiente quanto deveria numa situação como esta, a estrutura governamental está agindo, visível principalmente na presença de bombeiros e nas estruturas e equipes de resgate presente. Se os voluntários ajudam e muito nestas situações, a ação do governo é fundamental para maior eficiência, pois somente este terá capacidade de fazer equipes de resgate e salvamento com maior força. Já em relação a que somente os voluntários estariam agindo, é apenas uma continuação, um aprimoramento da anterior. Já que tentam vender a ideia de que o governo nada fez, toda a ação derivaria de voluntários. 

Pegando um pouco este povo, vale também à pena pensar a relação existente entre o estado e o povo. De certa maneira, o povo é um pouco o estado. Pois as relações sociais têm muitas raízes naquilo que é feito coletivamente, nas ações populares. Tanto que quando há grandes movimentações populares ou protestos, é sentido pela sociedade como um todo esse efeito, pois é algo que influencia a coletividade, logo o estado. Que é uma entidade em si, mas possui influência direta da coletividade. Ao mesmo tempo, é visível esta questão da entidade como algo que coordena e põe a população em suas leis e políticas. Sendo a organização política mais imediata, sob a influência e lobby de vários setores sociais, ela determina e coloca maneiras como a sociedade será; fazendo com que haja ali a organização social, baseado também nos aspectos de coerção e coesão da sociedade.

 Nisto, o que se vê é uma organização do estado que levará a reparos e algumas ações governamentais para a situação. Mais fraco do que devia, mas uma ação fundamental, que deveria ser aumentada e não diminuída. Como entidade social, para algo deste tamanho e gravidade, sem suas ações será impossível recuperação. Especialmente em longo prazo, quando ajudas privadas e de voluntários passarem. A relação entre o povo e o estado é o de uma grande e importante ajuda, pelo que formam juntos e pelas próprias coordenações sociais, as quais darão outros rumos ao estado e poderão estruturar uma recuperação. A solidariedade ajuda muito, mas fazer a política é fundamental. Para recuperar e preparar para bem passar por novas chuvas.  

 

 

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