Segunda, 22 de Julho de 2024
22°

Tempo limpo

Brasília, DF

Blogs e colunas Presidenta

Claudia Sheinbaum e Morena

Como colega de partido, foi colocada como sua continuadora e, especialmente, a que manterá o projeto do Morena no país. 

24/05/2024 às 12h14
Por: Pedro Fagundes de Borba
Compartilhe:
Claudia Sheinbaum; Wikimedia commons
Claudia Sheinbaum; Wikimedia commons

 Agora, em 2 de julho de 2024, haverá mais uma eleição presidencial no México. O país, que possui eleições diretas desde o ano 2000, já viu quatro presidentes neste meio tempo e agora virá o quinto, que será provavelmente uma presidenta. A mais provável vitoriosa é a esquerdista Claudia Sheinbaum, do Morena, mas a principal concorrente também é mulher, a conservadora Xochitl Gálvez, da coligação PAN, PRI e PRD. Por este cenário, a eleição mexicana já se torna interessante, por serem duas mulheres. Aumenta também a questão de ambas envolverem, às suas maneiras, uma questão minoritária, pois Claudia é judia e Xochitl indígena. Há então um componente identitário tanto de gênero quanto étnico nesta disputa pelo Palácio Nacional mexicano.

Continua após a publicidade

Focando em Claudia, se destaca nela certa continuidade em relação ao governo anterior, do Morena. O nome é um acrônimo de Movimento de Regeneração Nacional, que pode ser abreviado como Morena. Que é aproveitado para fazer referência à Virgem Morena, a Virgem de Guadalupe, padroeira do México. Foi fundado o partido em 2011 pelo atual presidente Andrès Manuel Lopez Obrador (AMLO) como forma de reavivar a esquerda no país, contrapondo o neoliberalismo que governava o México desde os anos 1980, aprofundado entre 2000 e 2012 pelos governos de Vicente Fox (2000-2006) e Felipe Cálderon (2006-2012). 

Foi nesta época, do governo Fox, que Claudia começou com mais força sua trajetória política. Embora já fosse ativa desde 1989, foi a partir de 2000 que passou a ter cargos maiores e mais efetivos. No caso, foi Secretária de Meio Ambiente da Cidade do México. Foi uma das responsáveis por um centro de registros eletrônicos, bem como supervisionou a introdução da Metrobus. Entre 2018 e 2023, durante o governo de Obrador, foi governadora do Distrito Federal, a Cidade do México. Como colega de partido, foi colocada como sua continuadora e, especialmente, a que manterá o projeto do Morena no país. 

Como figura política e pública, sempre foi muito atrelada a questões ambientais. Física e professora da UNAM (Universidade Nacional Autônoma do México) teve sempre muitas de suas pautas ligadas a esta. Aquecimento global, mudanças climáticas, sustentabilidade, e assuntos relacionados. Sempre de maneira forte e consistente, puxando a importância de tais pautas. Como uma Marina Silva, mas com mais força política. Se eleita, muito provavelmente seguirá este quadro, focando em tais assuntos. Já é uma figura experiente, com bastante tempo e que conhece bastante bem os meandros e estruturas mexicanas. Talvez tenha uma série de ações pragmáticas como Obrador teve, mas terá uma boa postura e disposições. 

Em relação ao partido, se mostrando como um renascimento e fortalecimento da esquerda mexicana ainda têm bastante a trazer. Durante o governo de Obrador ainda que se tenha tido uma série de políticas conciliatórias e pragmáticas, há uma alma nele. No caso uma alma cardenista, visto sua principal referência ser o presidente mexicano Lázaro Cárdenas del Rio, que governou entre 1934 e 1940. O qual foi fundamental para a nacionalização do petróleo do país, reforma agrária e consolidação de leis trabalhistas. Como um Getúlio Vargas mexicano, mas com um reformismo mais profundo. Naquele que foi o país da América Latina com o espírito mais progressista do século XX, graças à Revolução Mexicana, e agora nas décadas de 2010 e 2020 não ter entrado na extrema direita, há bastante espaço para tais políticas e aprimoramentos. É um partido que tem esta disposição, embora faça algumas coligações. Neste caso fez com um partido de esquerda, o PT (Partido do Trabalho) e o de direita PES (Partido do Encontro Solidário). Ainda assim, mantém uma capacidade política e de transformação. E Claudia, sendo quem continuará o legado de Obrador, com seu conhecimento e capacidade juntos, poderá aprimorar e melhorar fortemente isto. Apenas constatando que os mandatos presidenciais mexicanos são de seis anos ao invés de quatro, e não há possibilidade de reeleição.

Refletindo sobre o país como um todo, Claudia tem mais chances que Xochitl por ter um programa mais consistente, e já ser uma continuidade. Obrador, apesar de não ter sido milagroso, mostrou um bom desempenho e tem boa aprovação do povo. Num país que teve uma revolução que solidificou uma série de ideias mais progressistas e justicialistas, há mais tendência a isto. Há ainda muito o que se enfrentar, mas o Morena possui espírito para isto. Claudia Sheinbaum tem capacidade, conhecimento e, sobretudo disposição real a tal, pois pouco adianta os dois primeiros com a falta do último. Mesmo com uma coalizão um pouco misturada, a política dele será feito. Mantendo a força do social no país.  

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários