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Sobre a pobreza

A realidade sendo feita e montada desta forma, indica tanto um modo de produção ruim, pois baseia sua estrutura na riqueza de alguns e na pobreza de outros, a maioria das pessoas no caso, quanto também às condições que renega e determina para grande parte dos humanos, nos quais faz com que vivam mal, com poucas coisas.

21/06/2024 às 12h03
Por: Pedro Fagundes de Borba
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Pobreza; PX Here
Pobreza; PX Here

A pobreza é um dos mais antigos e constantes problemas da humanidade. É também seu problema capital, o principal e maior de todos. Ainda que não seja o único ela é, diretamente, o que mais afeta outros e também o que mais geram outros. Qualquer problema que qualquer pessoa tenha se agrava quando em situação de pobreza. Pois ela é, materialmente falando, aquilo que determina as possibilidades e limites logo os caminhos, de cada pessoa. Alguém que nasce pobre tenderá a morrer pobre, assim como um nascido rico tenderá a morrer rico. Independentemente do que façam ou das escolhas que tomem, a tendência é a continuidade deste padrão. Existem algumas exceções, normalmente já ligadas a alguma característica particular do sistema capitalista ou que se mostre atraente para este. Mas exceções confirmam a regra, mostrando com a realidade é montada e feita.

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A realidade sendo feita e montada desta forma, indica tanto um modo de produção ruim, pois baseia sua estrutura na riqueza de alguns e na pobreza de outros, a maioria das pessoas no caso, quanto também às condições que renega e determina para grande parte dos humanos, nos quais faz com que vivam mal, com poucas coisas. Neste sentido, vemos uma perversidade sistemática presente, que determina as condições de vida e mesmo a qualidade desta, nas quais insere as pessoas dentro de realidades. Mesmo aquelas a que disto saem são por outras substituídas, pois o próprio capitalismo necessita dessa desigualdade para se manter, ter sua existência. 

 Pobreza não surgiu no capitalismo, por certo. É já algo a ele anterior, tendo existido em diversos tipos de regimes anteriores, com outras classes dominantes e outros meios e modos de produção. A ordem e a organização social burguesas não a criaram. Mas a mantiveram, também aprofundando. Não necessariamente aumentando, mas aprofundando contradições nas próprias complexidades das relações produtivas e de trabalho presentes. A produção em escala industrial aumentou a divisão do trabalho social, bem como está cada vez mais hiper especializando e criando divisões cada vez menores e mais específicas. O que, dentro deste modo de produção cria tarefas para pessoas, pagando cada vez menos e deixando em piores condições, já que são serviços cada vez menores e fragmentados.

Toda esta condição de trabalho existe, regendo os funcionamentos da sociedade, em uma espiral cada vez mais agravante. Porém, como todo modelo de trabalho, há uma geração de riqueza embicada, há um valor e um objeto gerado por aquele serviço. Que nem sempre fica para quem o produziu. Neste aspecto, a riqueza produzida socialmente, pelos diversos serviços feitos e prestados, refere-se especialmente para toda a produção, o montante daquilo produzido e o valor agregado. Se a pobreza poderia ser pensada e definida como a ausência disto, mais adequado é dizer que ela em si não existe. Pois tudo aquilo que é feito e produzido, bem como suas ações de um modo geral fazem parte da riqueza humana, daquilo criado e usado. Porém esta riqueza é mal distribuída, abundante para alguns e ausente para outros.

Dentro da divisão do trabalho, por toda a complexidade nela presente, ver como opera esta distribuição, pelos próprios mecanismos e organização do capitalismo, torna-se o entender deste funcionamento, permitindo uma transformação. Pois se entendendo a base desta má organização consegue-se com que tais contradições sejam minadas, deixem de existir. A pobreza, por ser muito mais antiga que o atual sistema político econômico possui características que vão além dele, sendo mais enraizada. Porém deve ser entendida em seus moldes e bases atuais, ou seja, o que há mantém e faz com que exista hoje. O que acontece por causa das contradições da divisão do trabalho, do valor agregado e distribuição da riqueza produzida. Por estes fatores, entender nestas bases uma possibilidade para combate a pobreza implica ver como isto ocorre e gera os problemas sociais existentes. A destruição de tais contradições torna-se a base para uma justa sociedade.     

 

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