O deputado Arthur Lira recebe apoio do partido para concorrer à presidência da Câmara

Segundo o MPF, provável candidato do governo Jair Bolsonaro para a presidência da Câmara dos Deputados esteve à frente de um esquema milionário de “rachadinha” quando cumpria madato na Assembleia Legislativa de Alagoas

O deputado Arthur Lira (PP-AL), líder do Centrão, o principal bloco de sustentação política do governo, foi escolhido nessa terça-feira (1) como candidato para concorrer à presidência da Câmara. A escolha ocorreu em uma confraternização de fim de ano, que contou com a participação do presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira.

Embora Rodrigo Maia (DEM-RJ), atual presidente da Câmara, diga que não irá concorrer, ele é apontado como candidato do presidente Jair Bolsonaro e principal concorrente de Lira.

Na terça-feira, o Progressista lançou um manifesto em que critica a possibilidade de o supremo Tribunal federal (STF) abrir caminho para a reeleição de Maia e também de Davi Alcolumbre (DEM-AP).

“Carta à Nação Brasileira e ao Supremo Tribunal Federal, o documento chama qualquer iniciativa nesse sentido de “coronelismo parlamentar” e “casuísmo tacanho”. O texto foi assinado por doze partidos, inclusive o PT, que tem bom relacionamento com Maia.

A Constituição proíbe a recondução dos presidentes da Câmara e do Senado na mesma legislatura, mas a polêmica, agora, está com o Supremo. O julgamento do assunto foi marcado para a próxima sexta-feira, 4, no plenário virtual da Corte.

Rachadinha

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Arthur Lira foi líder de esquema de rachadinha em Alagoas. O candidato à presidência da Câmara teria movimentado ao menos R$ 9,5 mi, de um total desviado de um total de R$ 254 mi.

O jornal O Estado de São Paulo teve acesso à denúncia, na qual mostra que Lira foi o líder de um “grupo criminoso” que incluía funcionários fantasmas na folha de pagamento da Assembleia Legislativa de Alagoas quando ele era deputado estadual.

Em 2007, na operação Taturama, a Polícia Federal mostrou que o grupo usou o dinheiro para comprar carros e imóveis.

Em 2018, a Procuradoria Geral da República (PGR) identificou cheques emitidos pela assembleia, a título de pagamento salarial. Os valores eram transferidos para os deputados ou pessoas relacionadas a eles.

A operação apreendeu na residência de Lira uma planilha com a relação numérica de 566 cheques no valor de R$ 2.360,66, cada.

A ex-procuradora geral Raquel Dodge pediu a prisão e a perda da função pública de Lira e pagamento de multa para a devolução de recursos aos cofres públicos.

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