Obesidade e coronavírus, inimigos fatais

Importância na luta contra a obesidade só foi devidamente dada após pacientes obesos apresentarem quadro mais grave do coronavírus

A pandemia do novo coronavírus chegou para mostrar que pessoas obesas, com hipertensão e diabetes, podem desenvolver o quadro mais grave da doença, na maioria das vezes a única saída para a cura é encaminhar-se a Unidade de Tratamento Intensivo. O Brasil apresenta um numero crescente de pacientes com obesidade, pensando nisso que a webinar do dia (15/10), vídeo conferencia de caráter educativo, abordou o tema: “Raio X da Obesidade: o que a Covid-19 expôs sobre a vulnerabilidade do paciente?”.

O programa contou com a participação de especialistas e foi conduzido pela presidente, Marlene Oliveira, do Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL), afirmou que a COVID-19 mostrou uma necessidade que estava sendo deixada de lado, essa discussão é necessária para que o sistema de saúde possa se encarregar do tema.

Foi abordado por Cintia Cercato, diretora da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) a relação entre obesidade e pandemia “Estamos vivendo uma crise de saúde sem precedentes por causa da pandemia da Covid-19. E cientistas comprovaram em estudos e estatísticas que pessoas com obesidade têm 46% mais chances de testarem positivo para Covid-19; 113% mais chances de serem hospitalizadas pela doença; e 74% mais chances de sofrerem internações em UTI. Elas têm mais riscos porque têm mais chances de ter doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, problema cardiovascular, dentre outros. Além disso, impacta a respiração, pois compromete o trabalho dos pulmões. Para completar, a obesidade é uma inflamação e, por isso, quem tem a doença tem mais chance de pegar um vírus.”

Flávia Tanaka, especialista em Regulação de Saúde Suplementar da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), disse que um dos maiores problemas atuais é a saúde mental das pessoas, e que precisamos tomar cuidado com o bullying, pois obesos não estão nessa condição por escolha, “A obesidade já é reconhecida como um dos maiores problemas de saúde do mundo e está diretamente ligada à epidemia da saúde mental. Isso é importante demais, pois obesos não são obesos porque gostam de ser. É preciso um trabalho com vários especialistas, tratamento com nutricionista, endocrinologista e psicólogo.”

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O Ministério da Saúde tem programas para alcançar a meta de diminuição desse número crescente na obesidade, porém uma nova abordagem deve ser feita uma vez que foi observado que a meta não está sendo alcançada, a coordenadora geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde , Gisele Bortinelli, declara que outro fator importante está sendo deixado de lado, o número de crianças com obesidade aumenta cada dia mais.

“Um fator que nos preocupa é que as crianças estão ficando cada vez mais obesas. E enfrentando a obesidade desde criança, a chance de se tornar um adolescente, um adulto com a doença aumenta consideravelmente. Além da saúde do cidadão, a obesidade gera um preço muito alto para o Sistema Único de Saúde (SUS), pois traz consigo uma série de doenças crônicas. Dessa forma, ele precisa muito mais do SUS. Por isso temos que fazer políticas públicas de prevenção e enfrentamento da obesidade.” declarou.

O deputado, Luiz Teixeira Junior, lamentou que a devida importância ao caso só foi dada em tempos de pandemia, “Infelizmente, teve que chegar uma pandemia para mostrar de forma mais acentuada como é lidar com doenças crônicas.” O deputado disse que vai levar pauta para dentro do Legislativo e pretende iniciar reeducação alimentar dentro da escola.

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