Pandemia provoca perda de 11,5 mi empregos privados, mas setor público contrata 145 mil

Estabilidade no emprego é justificativa para ausência de perdas no setor público, que remunera 94% mais que o setor privado

Segundo levantamento realizado pela consultoria IDados, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) trimestral divulgada pelo portal G1, entre os meses de setembro de 2019 e setembro de 2020, pelo menos 11,5 mi de pessoas deixaram de trabalhar no setor privado.

Entretanto, o setor público criou 145,4 mil postos de trabalho. Além das vagas, o funcionalismo paga o dobro da iniciativa privada. De acordo com o IDados, a remuneração média dos servidores era de R$ 3.951 em setembro de 2020, valor 94,4% superior aos R$ 2.032 oferecidos pela iniciativa privada.

A pesquisadora do IDados, Mariana Leite, diz que o ciclo de contratação do setor público acompanha muito mais o calendário das eleições do que a economia do país. “Até porque os servidores, em sua maioria, têm estabilidade no emprego. E a demanda por serviços públicos, em momentos de crise, não diminui tanto quanto a demanda por serviços privados”.

No trimestre encerrado em junho de 2020, a proporção de funcionários públicos chegou a 14,8% da população ocupada, o máximo já apurado desde que a Pnad Contínua começou a ser realizada, em 2020. Apresentou um leve recuo em setembro, para 14,3%.

Reforma administrativa

O gasto com pessoal é a segunda maior despesa do governo federal. Em primeiro lugar estão os benefícios previdenciários. Para especialistas, é importante que haja reforma administrativa para que se altere a estrutura das carreiras em todos os entes federativos.

Em setembro de 2020, o governo enviou uma proposta de reforma administrativa ao Congresso, mas as mudanças valem apenas para novos servidores. O texto prevê o fim da estabilidade para parte dos funcionários públicos e extingue os chamados “penduricalhos”, que são benefícios além do salário.

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