Para cientista político, PSol dará nova cara a esquerda no Brasil

Em 2020, o partido cresceu cerca de 35% no número de vereadores

Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, o historiador e cientista político Juliano Medeiros, disse que o PSol cresceu muito em 2018. Foi o partido de esquerda que mais se desenvolveu, dobrando a bancada na Câmara dos Deputados. Segundo ele, em 2020 o partido cresceu cerca de 35% no número de vereadores, com a eleição de dezenas de mulheres, negros e negras, jovens e LGBTs.  Apesar de comemorar o resultado das eleições do último domingo (15), o cientista lamenta que o partido não tenha chegado ao segundo turno em capitais como Belo Horizonte e Florianópolis, onde fizeram grandes campanhas.

Sem querer projetar planos para 2022, para ele, é preciso aguardar o resultado obtido por Guilherme Boulos e Edmílson Rodrigues, para que assim, futuramente, afinar a unidade da opinião do presidente Jair Bolsonaro à reeleição.

Ao ser questionado se os números corresponderam às expectativas do partido, o cientista político respondeu que os resultados obtidos atenderam o que era esperado, mas que para os dirigentes há possibilidades de ir melhor. “Nos ressentimos de não ter chegado ao segundo turno em cidades importantes, como Belo Horizonte, Florianópolis, entre outras, onde fizemos campanhas grandes, que geraram muitas expectativas. Mas o PSol, sem dúvida, cresceu muito e saiu credenciado para liderar um processo de renovação da esquerda no Brasil”.

A relação do Psol com os outros partidos, segundo cientista político, é boa. “Temos mantido uma boa relação com os demais partidos de oposição e esperamos que continue assim. Sabemos que o PSol não pode enfrentar sozinho os retrocessos que ameaçam o Brasil. Mesmo com diferenças entre nós, a unidade nesse momento é uma necessidade”.

Para Juliano Medeiro, o bolsonarismo perdeu forças e foi o grande derrotado dessas eleições. Já o PT, é o maior partido da oposição, seja em número de filiados, seja em número de parlamentares. E que é natural que essa hegemonia seja questionada por outras forças de esquerda.

Juliano Medeiros disse que São Paulo e Belém são os grandes desafios do segundo turno das eleições. “Belém e São Paulo. Em Belém, terminamos o primeiro turno na frente e nossa expectativa é confirmar a vitória contra o candidato apoiado por [Jair] Bolsonaro. Em São Paulo, a campanha de Boulos e [Luiza] Erundina gerou uma enorme onda de esperança. Será uma campanha duríssima, com um adversário poderoso, mas estamos confiantes. Nossa estratégia passa por mostrar a diferença de projetos: de um lado, Boulos e Erundina, duas lideranças políticas comprometidas com os direitos sociais, com a democracia, com a mudança; de outro, o tucanato paulista, um projeto elitista, conservador, aliado de Bolsonaro na retirada de direitos. Demarcar projetos, essa é nossa prioridade”.

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