Pazuello admite colapso na saúde e reconhece que nova cepa é três vezes mais transmissível

Pazuello admite colapso na saúde e reconhece que nova cepa é três vezes mais transmissível

Aumento do número de casos e de mortes no país, com 15 estados com mais de 90% de leitos de UTIs ocupados demonstram que chegamos ao quadro mais grave da pandemia

Nessa quinta-feira (26), o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que a nova variante do coronavírus que circula no Brasil contamina três vezes mais do que as cepas anteriores do vírus. Ele também destacou que a velocidade da transmissão pode pegar de surpresa os gestores de saúde. Segundo o Ministério, o Brasil chegou a 251.498 mortes pela Covid-19, sendo que nas últimas 24 horas foram registrados 1.541 óbitos. O número de casos é de 10.390.461 infecções.

“Várias cidades do país, vários locais estão subindo (os números de infectados). Não está centrado apenas no Norte e Nordeste, como vimos ano passado. Precisamos estar alerta e preparados para isso”, salientou Pazuello, ao lado dos presidentes dos conselhos nacionais de secretários de saúde estaduais (Conass) e municipais (Conasems), Carlos Lula e Wilames Freire, respectivamente.

Segundo o ministro, entre 13 e 14 mi de doses de vacinas já foram distribuídas aos Estados para aplicação nos grupos prioritários e será possível vacinar metade da população que será imunizada até a metade do ano e a outra metade até o final do ano.

Ele atribuiu ao surgimento das novas variantes a atual dificuldade em controlar a pandemia. “O vírus mutado tem três vezes mais capacidade de contaminação, e a velocidade pode surpreender o gestor em termos de estrutura e apoio. Essa é a realidade que temos hoje no Brasil”, explicou. Segundo ele, a cepa descoberta em Manaus, a P.1, “já faz parte do cotidiano e está em outros estados brasileiros”.

Os presidentes dos conselhos fizeram declarações em tom de alarme e preocupação. Carlos Lula disse que o país vive o momento mais duro da pandemia, e Freire afirmou que é preciso voltar a orientar a população a seguir medidas contra o vírus.

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Eles alertaram que o sistema de saúde de estados e municípios funciona no limite e que a iminência de colapso não se concentra em apenas uma região. Durante o pronunciamento, o presidente do Conass afirmou que há 15 estados com capacidade de lotação dos leitos de UTI acima de 90%.

“Todos os estados têm criado mais leitos, mas apenas isso não adianta. Precisa de ajuda da sociedade. Tem de entender que não é hora de fazer festa. O que a doença precisa é de pouco ar, ambiente fechado”, disse. E acrescentou: “Precisamos ligar o alerta porque, sem dúvida, viveremos as semanas mais difíceis em março e abril”, salientou.