Pazuello admite que Bolsonaro decidiu não intervir na crise sanitária de Manaus

O ex-ministro culpa a Secretaria de Saúde do Amazonas e a empresa White Martins, que fornecia o insumo para a capital amazonense

Nesta quinta-feira (20), o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello afirmou que a culpa pela falta de oxigênio hospitalar, que provocou o colapso na rede sanitária de Manaus (AM), é da Secretaria de Saúde do Amazonas e da empresa White Martins, que fornecia o insumo para a capital do Amazonas. O general admitiu que o governo federal decidiu não entrar com uma intervenção na saúde do estado.

O senador Eduardo Braga (MDB-AM) relembrou ter enviado uma carta diretamente ao presidente da República pedindo uma intervenção federal, “diante da falta de competência e da falta de responsabilidade [do estado]. Deixou faltar oxigênio. Fecharam o hospital de campanha. E, lamentavelmente, não fui atendido”. O parlamentar questionou o general sobre o motivo da negativa.

“Essa decisão não era minha […]. (O pedido) Foi levado à reunião de ministros com o presidente. E o governador (do Amazonas), presente, se explicou, apresentou suas observações. E foi decidido pela não intervenção”, revelou Pazuello

Sobre a crise de oxigênio, o ex-ministro disse que a empresa White Martins, “já vinha consumindo a sua reserva estratégica e não fez essa posição de uma forma clara desde o início”, colocando a culpa do colapso na empresa. “O contraponto disso é o acompanhamento da Secretaria de Saúde, que não o fez. Se a Secretaria de Saúde tivesse acompanhado, […] teria descoberto que medidas precisariam ser feitas imediatamente”.

Eduardo Braga alegou que a responsabilidade não poderia ser atribuída à empresa. “Se esse volume é quadruplicado, é o Poder Público que tem que tomar responsabilidade”.

Pazuello corrigiu a fala: “No momento em que a secretaria deixa de acompanhar o processo e de se antecipar ao processo, a responsabilidade quanto a isso é clara no sistema. É da Secretaria de Saúde do Estado do Amazonas. Ponto”.

Enquanto o general negava qualquer responsabilidade do Ministério da Saúde em não se antecipar à falta de oxigênio e às decisões de fechar hospitais de campanha, por exemplo, Braga discordava. “Vossa Excelência chegou com a sua equipe a Manaus, mas não providenciou o avião para ir buscar o oxigênio na Venezuela. Não providenciou para buscar oxigênio líquido em volume e em quantidade necessária. Nem o senhor, nem a Secretaria do Governo do Estado, nem a Prefeitura, nem ninguém. E o que que aconteceu? Vidas se foram. E a razão desta CPI é porque vidas importam”.

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