Pazuello ignora CoronaVac e afirma ser dever do Ministério da Saúde vacinar a população

Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em pronunciamento feito no Palácio do Planalto, afirma adquirir qualquer vacina que seja liberada pela Anvisa

Na tarde de terça-feira (8) foi feito um pronunciamento pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no Palácio do Planalto, afirmando que cabe à pasta planejar a vacinação contra a covid-19 e não aos Estados. O discurso aconteceu após o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciar que a imunização acontecerá em janeiro.

“Compete ao Ministério da Saúde realizar o planejamento e a vacinação em todo o Brasil. Por isso o PNI (Programa Nacional de Imunizações) é um programa do ministério. Não podemos dividir o Brasil num momento difícil” ressalta o ministro.

Pazuello não comentou sobre a distribuição das vacinas CoronaVac, prometida pelo governador de São Paulo aos estados e municípios que tenham interesse. Em seu discurso, que não era aberto a perguntas, o ministro falou que o governo irá adquirir qualquer vacina que receber o registro da Anvisa.

“Qualquer vacina que tenhamos acesso, fabricadas no Brasil ou importadas, que sejam disponibilizadas para nós e tenha registro da Anvisa será alvo de contratação do governo federal”, afirmou o general.

A principal aposta do governo é na vacina produzida pela AstraZeneca em parceria com a Oxfod, que deve ser registrada até o final de fevereiro.

Desavenças políticas

Após o governador de São Paulo adquirir doses da vacina, CoronaVac, em uma briga política, Bolsonaro desautorizou o ministro que recuou na compra da vacina que será produzida pelo Instituto Butantan.

Em reunião com os governadores, Pazuello teve um desentendimento com João Doria, que o questionou sobre a falta de interesse na CoronaVac, produzida no Brasil. Em resposta Bolsonaro disse espera o registro da Anvisa.

“O Brasil disponibilizará vacina de forma gratuita e voluntária após comprovada eficácia e registro na Anvisa. Vamos proteger a população respeitando sua liberdade, e não usá-la para fins políticos, colocando sua saúde em risco por conta de projetos pessoais de poder”, escreveu Bolsonaro em post nas redes sociais.

300 milhões de doses

Pazuello repetiu que o Sistema Único de Saúde (SUS) tem acordos para receber 300 milhões de doses em 2021, sendo 260 milhões de Oxford e AstraZeneca e mais cerca de 40 milhões por meio do consórcio Covax Facility. A conta ignora possíveis compras da vacina da Pfizer ou da Coronavac.

Ao final o ministro afirma que a população não pode desanimar, “Erguer a cabeça, dar a volta por cima é um padrão brasileiro. É diante de uma crise que criamos soluções para avançar e temos que acreditar que podemos vencer. Vamos ter fé. Tudo isso vai passar.” concluiu.

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