Perda de emprego atinge 30 mil domésticas e diaristas durante a pandemia

Domésticas e diaristas precisam escolher entre ficar em casa e perder a renda ou ir trabalhar na pandemia sob o risco de contrair o vírus

Devido à pandemia do novo coronavírus, que já matou mais de 176 mil pessoas no país, muitos brasileiros perderam o emprego durante o ano de 2020. Uma das áreas afetadas foi o serviço doméstico. Cerca de 30 mil empregadas domésticas e diaristas foram demitidas entre março e julho deste ano, segundo o Instituto Doméstica Legal. De acordo com um estudo da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), 70 mil pessoas trabalhavam como empregados domésticos, em setembro.

Graziele Gonçalves (32) faz parte do grupo de risco da Covid-19. Seus patrões são diabéticos e ela asmática e, diante do risco de contaminação, decidiram encerrar o contrato com Graziele. “Me abalou demais, fiquei desesperada, não queria ter saído”. Graziele é mãe de dois filhos e agora está grávida de cinco meses, e diz que, além de ser demitida, a renda do marido, que é motorista, diminuiu com a redução da demanda por transporte de carretas.

Sônia dos reis (59) trabalha todos os dias às 6h00. Apesar de tomar os devidos cuidados e seguir as recomendações para a prevenção da Covid-19, ela precisa usar o transporte público para chegar ao seu destino. “É onde corro mais risco”, destaca. Sônia trabalha em sete casas e em apenas uma delas a diarista consegue tomar banho e se higienizar antes da jornada de trabalho.

Sônia pediu, quando o isolamento começou, em março, que seus patrões continuassem pagando as diárias, mas em setembro precisou voltar ao trabalho presencial. “Aqueles que me liberaram e não me pagaram, eu não volto mais.” Outra crítica é com relação ao negacionismo de alguns chefes. “Eu trabalho em lugares em que os patrões não usam máscara, trabalho também com gente de risco, senhoras de idade, muitas nem gostam de usar qualquer proteção”.

A diretora do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do DF, Samara Nunes, ressalva que no Distrito Federal a realidade é de violação de direitos trabalhistas para a categoria. “Se antes não respeitavam, agora que está um desrespeito total”, protesta.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) editou uma nota técnica em que orienta as relações entre empregadores e empregadas domésticas neste período: a garantia de que essas trabalhadoras fossem dispensadas do trabalho e que a remuneração fosse assegurada durante o isolamento.

A infectologista Eliana Bicudo alerta que, se o protocolo sanitário não for cumprido, há risco de contaminação dentro de casa tanto para a profissional quanto para a família. “Tem que estimular o uso de máscara, o vírus se transmite pela boca e pelo nariz”. Para reduzir a chance de transmissão, ela orienta que as trabalhadoras, além de higienizar as mãos, tomem banho ao chegar e tenham uma roupa privativa para usar no trabalho. Outra orientação é manter o ambiente de trabalho arejado, além de manter o distanciamento, evitando ficar nos mesmos cômodos: “Assim, o risco é mínimo”.

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