Pesquisa do IBGE aponta 13,4 milhões de pessoas desempregadas no Brasil

Pesquisa do IBGE aponta 13,4 milhões de pessoas desempregadas no Brasil

Brasil fecha 2020 com maior taxa de desemprego em 8 anos, somando 13,9 milhões de brasileiros desocupados

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta sexta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil terminou 2020 com 13,9 milhões de pessoas desempregadas, o que corresponde a uma taxa de desocupação de 13,9% no último trimestre do ano, resultando na maior taxa de desempregados desde 2012.

O ápice do desemprego de acordo com o IBGE foi registrado no terceiro trimestre do ano passado, quando a taxa de desocupação chegou a 14,6% e o número de desempregados bateu 14,1 milhões. A perda de postos de trabalho foi impulsionada pela pandemia de covid-19, que impactou a economia ao restringir o fluxo de pessoas. Porém por conta da reabertura das atividades econômicas, no último trimestre, houve uma desaceleração desses números.

A analista da Pnad, Adriana Beringuy, explica que as medidas de isolamento social ocasionaram a paralisação das atividades econômicas. “No ano passado, houve uma piora nas condições do mercado de trabalho em decorrência da pandemia de Covid-19. A necessidade de medidas de distanciamento social para o controle da propagação do vírus paralisaram temporariamente algumas atividades econômicas, o que também influenciou na decisão das pessoas de procurarem trabalho. Com o relaxamento dessas medidas ao longo do ano, um maior contingente de pessoas voltou a buscar uma ocupação, pressionando o mercado de trabalho”, disse.

Na média anual, a população ocupada reduziu 7,3 milhões de pessoas, para 86,1 milhões, chegando ao menor número da série anual. “Saímos da maior população ocupada da série, em 2019, com 93,4 milhões de pessoas, para 86,1 milhões em 2020. Foi uma queda bastante acentuada e em um período muito curto. Pela primeira vez na série anual, menos da metade da população em idade para trabalhar estava ocupada no país. Em 2020, o nível de ocupação foi de 49,4%”, acrescenta Beringuy.

Trabalhadores formais e informais

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O número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado (fora trabalhadores domésticos) teve redução recorde em um ano de 2,6 milhões, recuo de 7,8%, ficando em 30,6 milhões de pessoas. Os trabalhadores domésticos (5,1 milhões) também tiveram a maior queda já registrada, de 19,2%.

Houve também redução de 1,5 milhão de pessoas entre os trabalhadores por conta própria, que somaram 22,7 milhões, uma retração de 6,2% em relação a 2019. O número de empregados sem carteira assinada no setor privado (9,7 milhões) caiu 16,5%, menos 1,9 milhão de pessoas. Até o total de empregadores recuou 8,5%, ficando em 4,0 milhões.

A taxa de informalidade passou de 41,1% em 2019 para 38,7% em 2020, o que representa 33,3 milhões pessoas sem carteira assinada (empregados do setor privado ou trabalhadores domésticos), sem CNPJ (empregadores ou empregados por conta própria) ou trabalhadores sem remuneração.

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Subutilização e desalento

O IBGE informou que, as pessoas subutilizadas, aquelas que trabalham menos do que poderiam chegou a 31,2 milhões em 2020, o maior da série anual, com alta de 13,1% (mais 3,6 milhões de pessoas). Já os desalentados são aqueles que desistiram de procurar trabalho por conta das condições do mercado, na média anual, aumentou em 16,1% em relação a 2019, chegando a 5,5 milhões de pessoas.

“Com os impactos econômicos da pandemia, muitas pessoas pararam de procurar trabalho por não encontrarem na localidade em que vivem ou por medo de se exporem ao vírus. Durante o ano de 2020, observamos que a população na força de trabalho potencial cresceu devido ao contexto. Esse processo causado pela pandemia, somado às dificuldades estruturais de inserção no mercado de trabalho, podem ter reforçado a sensação de desalento”, explicou Adriana

Administração pública criou vagas em 2020

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Em um ano de perdas generalizadas, a exceção entre as atividades foi a administração pública, que cresceu 1%, com mais 172 mil trabalhadores, impulsionada pelos segmentos de saúde e educação.

Os maiores prejudicados em 2020 foram, a construção com perda de 12,5% na ocupação, seguido de comércio (9,6%) e indústria (8,0%). Os maiores destaques de prejuízos vão para: alojamento e alimentação (21,3%) e serviços domésticos (19,0%). Outros serviços reduziram 13,8% e transportes, 9,4%. Os menores percentuais ficaram com agricultura (2,5%) e informação e comunicação (2,6%), que, inclusive, interrompeu três anos seguidos de crescimento da ocupação.