Petrobras anuncia novo aumento de combustíveis; 10,2% na gasolina e 15% no diesel

Petrobras anuncia novo aumento de combustíveis; 10,2% na gasolina e 15% no diesel

O aumento acumulado no ano de 2021 é de 35% na gasolina e 14,7% no diesel

Nesta quinta-feira (18), a Petrobras anunciou mais um aumento dos preços médios de venda às distribuidoras da gasolina e do diesel, que irão vigorar a partir de sexta-feira (19). Os preços médios da Petrobras nas refinarias subirão para R$ 2,48 (gasolina) e R$ 2,58 (diesel), após aplicação de reajustes de R$ 0,23 e de R$ 0,34 por litro. Isso representa um aumento de 10% na gasolina, desde o início do ano, o acumulado alcança 35% na gasolina e 14,7%, no diesel.

Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Distrito Federal (Sindicombustíveis-DF), desde sexta-feira passada (12), a gasolina sofreu aumento de R$ 0,42 por litro. Além desses reajustes, houve também elevação no etanol anidro e revisão da base de cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). “Daqui a 15 dias, o governo do DF vai revisar novamente o preço médio e teremos novo aumento”, afirmou o presidente do sindicato, Paulo Tavares.

Tavares questiona a política de preços da Petrobras, que é alinhada à paridade internacional. “O último reajuste elevou a gasolina em R$ 0,15. Agora, aumenta em R$ 0,23. A isso se soma o aumento do etanol anidro, no sábado (13), com impacto de R$ 0,10 no litro e mais a revisão do ICMS, outros R$ 0,10. De sexta-feira para cá, ou seja, em praticamente uma semana, o litro da gasolina aumentou mais de R$ 0,40”, lamentou.

Ele disse que a margem bruta da revenda está entre R$ 0,20 e R$ 0,50.  “Com os R$ 0,40 de aumento, tem posto que vai trabalhar com margem negativa. Como vão ficar os preços nas bombas depende de cada posto, dentro da sua política de preços, sua capacidade de absorver os aumentos e também de estoque”, ressaltou.

Para Marlon Maues, assessor executivo da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), o preço dos combustíveis transcende a categoria dos caminhoneiros. “O aumento do diesel impacta na indústria naval, no agronegócio, no transporte de passageiros, na indústria e no comércio, porque o frete mais caro pesa no preço dos produtos. Quem sofre é a população”, disse.

Para ele, a CNTA quer que os parlamentares questionem a Petrobras. “O caminhoneiro leva essa responsabilidade, mas não queremos que seja usado como massa de manobra. Clamamos para que os representantes legais, os parlamentares, questionem a política de preços dos combustíveis. É um problema nacional e uma falta de sensibilidade, em plena pandemia, a empresa buscar lucro acima de tudo”.

Tributos

O governo vem falando em alterar a estrutura de tributação do setor. Jair Bolsonaro (sem partido) tem cobrado governadores no sentido de que eles reduzam o ICMS sobre os preços dos combustíveis.

Bolsonaro afirmou que o governo está fazendo um estudo sobre as mudanças no ICMS e que, se ficar comprovada a viabilidade jurídica, apresentará um projeto sobre o tema ao Congresso na semana que vem.

“O que se faz de 15 em 15 dias? Pega-se o valor médio do combustível e daí os governadores aplicam o percentual em cima daquilo. O ICMS não só incide em cima do preço do combustível na refinaria, mas incide também em cima do PIS/Cofins, incide em caso de existência de Cide [Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico], incide em cima da margem de lucro dos postos, incide em cima do custo da distribuição e incide em cima do próprio ICMS. Isso é uma loucura”, disse o presidente na quinta-feira passada (11).