Petrobras sobe preço da gasolina nas refinarias e provoca debandada de motoristas em apps de corrida

O preço médio do litro da gasolina sobe de R$ 2,69 para R$ 2,78, uma alta de 3,3%

Nesta quinta-feira (12), a Petrobras vai reajustar o preço da gasolina nas refinarias. O diesel segue com o mesmo valor, de acordo com a estatal. O preço médio do litro da gasolina sobre de R$ 2,69 para R$ 2,78, uma alta de 3,3%. É o segundo reajuste na gestão de Joaquim Silva e Luna. No acumulado do ano, a gasolina da Petrobras subiu cerca de 51%.

Esse aumento afetou a categoria dos motoristas de aplicativos. Segundo estimativa do Sindicato dos Motoristas Autônomos de Transportes Privado Individual Por Aplicativos no Distrito Federal (Sindmaap-DF), cerca de 20% dos que trabalhavam com as plataformas já desistiram de continuar rodando.

“Existem corridas que o motorista está pagando para correr, por isso a maioria vem fazendo o mínimo possível, rodando só em horário que há dinâmica de preços. Aumentou o preço da gasolina, do óleo, do pneu, mas o repasse do preço da corrida para os motoristas não aumenta”, reclama o presidente do Sindmaap, Marcelo Chaves.

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Luciano Brito (27), motorista de aplicativos, fala sobre a dificuldade de arranjar um emprego formas e que por isso ainda é motorista.

“Hoje em dia é mais gasto do que lucro. A tarifa para a gente não acompanha os nossos custos. O que eu mais vejo é gente nos grupos de motoristas falando que vão desistir, principalmente os que rodam com carro alugado”, relata.

Há dois anos no aplicativo, ele diz o preço da gasolina na época que começou ainda permitia algum lucro, diferentemente de agora. “Todo dia, o mínimo que se gasta para abastecer é R$ 100. Por isso eu só rodo em horário de pico, levando as pessoas para o trabalho. Começo às 6h, vou até 10h e depois desligo o aplicativo. Volto só às 17h”.

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João Paulo Gomes (26) adota a mesma estratégia. “Não dá para ficar fazendo viagem de quatro quilômetros, pois o app vai cobrar R$ 8,50 e eu fico com R$4,50. Um valor desse que não paga a gasolina do deslocamento, até o passageiro e a corrida propriamente dita”.

Aplicativos

Procurada pelo jornal Metrópoles, a 99 informou que tem como prioridade a melhoria dos ganhos e maior eficiência na rotina dos motoristas parceiros”. Segundo a empresa, neste ano já foram mais de R$ 2,5 milhões em desconto em postos de gasolina de uma rede parceira.

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O aplicativo disse ainda que vem praticando uma série de incentivos em diversos lugares do Brasil como a cobrança de taxa zero em alguns dias do mês e incentivos que oferecem bônus financeiros para quem atingir uma determinada meta.

A 99 afirmou também que desde abril de 2020 foram mais de R$ 150 milhões destinados em ações para apoiar quem usou o aplicativo, tanto os motoristas parceiros, quanto os passageiros. Sobre o tempo de espera na plataforma, “é importante lembrar que o volume de corridas já havia voltado em 100% do registrado antes da pandemia no final do ano passado. Com as regras de flexibilização, mais gente vem usando o serviço, o que pode causar demora em determinados dias e horários de pico”.

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Já a Uber informou que busca “sempre considerar, de um lado, as necessidades dos motoristas parceiros e, de outro, a realidade dos consumidores que usam a plataforma, tendo em vista a preservação do equilíbrio entre oferta e demanda que é fundamental para a plataforma”.

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