Porcentagem de alunos do ensino superior com deficiência continua baixa no DF

Mesmo com um crescimento significativo de matrículas entre 2014 e 2020, a porcentagem de alunos deficientes que ocupam vagas em universidades federais e particulares é de 0,49%

Na Capital Federal a inclusão de pessoas com deficiência no ensino superior ainda caminha em passos lentos. A mais recente pesquisa feita pela plataforma QueroBolsa, mostra que a porcentagem de estudantes com deficiência nas universidade federais e particulares do DF é de apenas 0,49%.

De 2014 até o ano atual, o número de alunos com necessidades especiais em universidades vêm crescendo significativamente, porém mesmo com o aumento das matrículas o acesso inclusivo continua sendo uma batalha.

Estudantes

A estudante de Letras da Universidade de Brasília (UNB) Andressa Araújo dos Santos (21), que nasceu com mielomeningocele, uma má formação da coluna vertebral, afirma que antes das aulas remotas começarem se locomover na universidade era um desafio, com a falta de elevadores, rampas e calçadas acessíveis, a estudante chegou a cair e machucar.

A estudante ressaltou que a universidade tem muitos projetos e pessoas disponíveis para auxiliar pessoas deficientes, porém falta divulgação. Apesar de existir um grupo de apoio à falta de informação acaba acarretando na desistência de alunos que por fim se sentem mais excluídos.

“Isso é pouco divulgado, pouca gente sabe. Muitos abandonam o curso sem saber, aumentando a exclusão”, esclareceu a discente de Letras.

O estudante de direito da UNB, Guilherme dos Santos Leite, diagnosticado com deficiência auditiva, afirma que em certos momentos quando não entende algo as pessoas perdem a paciência com ele, e deficientes não devem ser lembrados apenas nas paralimpíadas.

“Já aconteceu de quando eu não entendi o que foi falado as pessoas perderem a paciência. Então, é claro que existe a dificuldade das relações interpessoais”, relatou Guilherme. “A comunidade das pessoas com deficiência é quase invisível no Brasil. A população só lembra da gente nessa competição. O Brasil tem um bom desempenho, é lindo, mas, depois do pódio, de descermos com nossas medalhas de ouro, a gente vai tendo uma derrota atrás da outra na nossa convivência na sociedade”, completou.

Inclusão na UNB

A professora e doutora Sinara Pollom Zardo, titular da Diretoria de Acessibilidade, reconhece que a Universidade ainda passa por desafios de acessibilidade, “Os desafios são muitos, mas a UnB tem avançado na perspectiva de sua missão institucional: ser uma universidade inovadora e inclusiva” pontuou.

Neste ano de 2020, foi criado a Diretoria de Acessibilidade (DACES), vinculada ao Decanato de Assuntos Comunitários (DAC), que atende 378 estudantes. A DACES é ainda responsável pelo desenvolvimento de ações e projetos voltados para a acessibilidade.

No caso de licenciatura em língua de sinais brasileira e português, existem provas adaptadas em Libras, além de cotas para graduação, existe também a política de inclusão na pós-graduação.

A UNB, orgulha-se de formar seu primeiro aluno surdocego, neste ano que conta com a pandemia de covid-19. Os docentes de universidades vêm trabalhando para tornar o ambiente virtual acessível.

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