Produção de vacinas contra a Covid-19 está ameaçada pela falta do IFA vindo da China

Diretor do Butantan, Dimas Covas, e governador de São Paulo, João Doria, culparam os ataques do governo brasileiro à China como entrave para a liberação da importação dos insumos

Nesta segunda-feira (10), o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que existe indefinição quanto à liberação de importação do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), necessário para a produção da Coronavac. Há a expectativa de que o insumo seja liberado até a próxima quinta-feira. O envio ainda não foi confirmado.

“Para maio, temos a entrega desta semana, 2 milhões no dia de hoje, mais 1 milhão na quarta-feira e 1 milhão e 100 na sexta. E, a partir daí, não teremos mais vacinas, porque não recebemos o IFA. Então, aguardamos a chegada desse material para que isso possa ser processado. Situação parecida com essa também é enfrentada pela Fiocruz, que a informação que eu tenho é que não teve o seu IFA liberado. Preocupa muito, porque o cronograma de vacinação, não neste momento, mas a partir de junho, poderá sofrer algum impacto”.

De acordo com Covas, a liberação aguardada é de 4 mil litros do insumo. Ele e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) culparam os ataques do governo brasileiro à China como entrave à liberação de importações dos insumos.

“O mesmo laboratório, Sinovac, disponibiliza insumos para um país vizinho, o Chile, que não agride a China, que não tem o seu presidente falando mal do governo chinês, do povo chinês e de sua vacina. O fluxo é normal de entrega desses insumos para o Chile. Por que não é para o Brasil? Razões de ordem diplomática e as formas desastrosas de manifestação em relação ao governo da China”, disse Doria.

O IFA, enviado pelo laboratório Sinovac, está pronto para ser despachado, mas por questões aduaneiras o material está parado. De acordo com Dória, existem 10 mil litros de insumos prontos na Sinovac aguardando autorização do governo chinês para embarque.

“E cada vez que manifestações são feitas aqui de forma desagradável em relação à China, isso cria dificuldades, claramente, para autorização do governo chinês para o embarque desses insumos para o Brasil”.

Segundo Dimas Covas, “é muito claro que há uma limitação determinada pelo governo da China dadas as circunstâncias das constantes manifestações inadequadas e absolutamente inoportunas do governo brasileiro através das suas autoridades”.

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