Professores temem que volta às aulas presenciais agravem nível de contágio da Covid-19

Previsão de retorno às aulas na rede estadual de São Paulo é para 1º de fevereiro. Diretora do SinproSP é contrária à reabertura das escolas devido ao momento grave da pandemia

Após 10 meses com as aulas suspensas pelo país, devido à crise sanitária causada pelo novo coronavírus, que já matou mais de 212 mil pessoas no Brasil, professores temem que o retorno das aulas presencias possa agravar o nível de contágio da Covid-19. Em São Paulo, o Secretário da Educação Rossieli Soares homologou a deliberação do Conselho Estadual da Educação sobre o retorno das aulas presenciais. As orientações foram publicadas na edição de sábado (16) do Diário Oficial de São Paulo e valem para as unidades da rede estadual e privada. A previsão de retorno às aulas na rede estadual é para o dia 1º de fevereiro.

Segundo Silvia Barbara, diretora do SinproSP, entidades representativas de professores tentaram discutir a decisão de retorno das aulas em São Paulo na justiça, mas não conseguiram.

Silvia afirma que a categoria nunca defendeu a reabertura das escolas. “Mas percebemos que falta uma postura de razoabilidade em um momento de agravamento da pandemia e de surgimento de novas variantes do vírus. A situação é diferente da que tínhamos em novembro”, diz.

Apesar do crescimento no número de casos, o governo paulista assegura que a alta não está relacionada ao comportamento de crianças e de estabelecimentos comerciais.

Segundo Jean Gorinchteyn, secretário estadual de Saúde, o principal motivo do aumento no número de casos é porque jovens têm frequentado festas clandestinas e não seguem os protocolos, por acreditarem que terão apenas sintomas leves da doença.

A diretora do sindicato dos professores disse ao Jornal Metrópoles que “é estranho que insistam no mesmo discurso que tinham em novembro, quando as taxas de contágio estavam caindo”. “O que me surpreende é que a conjuntura mudou, mas o discurso continua o mesmo”.

Segundo pediatras, apenas 1% das crianças vão a óbito por causa da Covid-19 e que, segundo a Sociedade de Pediatria de São Paulo, as infecções são de 2% do total. O pediatra Paulo Telles, divulgador do manifesto, em vídeo argumenta que as crianças são assintomáticas ou apresentam sintomas leves, o que faz com que tenham menor potencial de transmissão do vírus.

“Com medida de prevenção, a escola é segura para professores, funcionários e alunos. No Brasil e no mundo, as crianças se infectaram mais em casa do que na escola. Os impactos do isolamento social prolongado no desenvolvimento infantil e na saúde mental são imensos, como obesidade, transtorno de ansiedade e transtorno de sono”, afirma.

Protocolo

Uma das diretoras da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino do Estado de São Paulo), professora Flávia Bischain, disse ao jornal Metrópoles que concorda com os argumentos do médico, mas diz que não é com retorno às aulas presenciais que os problemas serão resolvidos.  “O que tem que ser feito diante disso? Defendemos que tem que ser garantido atendimento psicológico, segurança alimentar, internet, proteção em caso de abuso e não mandar para a escola no meio da crise da segunda onda. Isso só vai agravar a situação”.

Segundo a diretora, os protocolos não estão seguidos nas escolas públicas pois não há estrutura, como ventilação adequada, nem funcionários suficientes. “A gente não pode enxergar as crianças de forma isolada. No Brasil, um dos maiores fatores de risco é a pobreza, e são essas crianças da rede pública, em sua maioria moradores da periferia, e suas famílias que vão ser as mais afetadas com aumento da contaminação que já acontece no país todo”.

Rossieli Soares, aposta nas normas sanitárias para diminuir o contágio nas escolas. “Queremos as escolas abertas com todo o protocolo para evitar contaminações. Sabemos que nas escolas o risco de contaminação é baixo, fato comprovado quando nosso monitoramento aponta para nenhuma transmissão dentro do ambiente escolar desde o retorno opcional das atividades em setembro passado”.

A secretaria afirma que a decisão de reabrir as escolas se baseia “em experiências internacionais e nacionais e tem o intuito de garantir a segurança dos alunos e professores, bem como o desenvolvimento cognitivo e socioemocional das crianças e adolescentes”.

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