Profissionais da saúde encaram desafios ao apoiar pacientes vítimas de covid-19

Técnica de enfermagem do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) fala sobre desafios e consequências de trabalhar na linha de frente contra o coronavírus

Durante a pandemia de covid-19 que assombrou o Brasil e o mundo, foi indispensável o amparo dos profissionais da saúde no combate ao coronavírus. Eles estão entre os grupos mais vulneráveis às consequências emocionais e psicológicas da pandemia, encarando rotinas exaustivas, onde o foco é dar tudo de si para cuidar dos pacientes infectados. Técnica de enfermagem há 12 anos no pronto-socorro do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), Karina de Jesus Silva é uma das pessoas que compõem o time dos Heróis da Saúde.

Karina sempre quis atuar na área da saúde, e por muito tempo pensou ser incapaz de realizar o trabalho. Porém em seus primeiros meses de estágio descobriu o quão importante é dar apoio às pessoas em um momento de fragilidade. Durante a pandemia seu trabalho foi árduo e assim percebeu o quão essencial é apoiar incondicional cada paciente que se internava no PS sem saber ao certo o que aconteceria.

“Foi bem difícil ver pacientes ligando para os familiares dizendo que iriam ser intubados, chorando e depositando na gente toda a esperança de sair bem de tudo aquilo”, relembra.

A técnica em enfermagem não saiu ilesa da pandemia, foi diagnosticada com Covid-19 em junho de 2020, mesmo tomando todas as medidas de prevenção, utilizando todos os equipamentos de proteção individual disponibilizados. Karina, após perder uma colega de trabalho, afirma que foi um dos momentos mais difíceis pelo qual passou.

“Tive sintomas mais amenos como dor de cabeça, febre e calafrios, mas o que me deixou muito triste foi perder um colega de profissão que tomou posse na Secretaria de Saúde junto comigo e que lutou bravamente pela vida. Talvez tenha sido um dos momentos mais difíceis pra mim durante toda pandemia”, lamenta.

Após um ano complicado, Karina viu uma luz no fim do túnel com a chegada da vacina contra a covid-19. No primeiro dia de vacinação no Distrito Federal em 19 de janeiro, a técnica em enfermagem foi imunizada e ressaltou: “incrível poder participar desse momento, ter o privilégio de poder ser umas das primeiras pessoas a receber a tão sonhada e polêmica vacina”.

Hoje ela conta que se sente mais segura para trabalhar e com a esperança de que a vacina chegue, em breve, para todos.

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