Reforma ministerial pode ser antecipada em troca de apoio a Arthur Lira

Estratégia de Bolsonaro de trocar cargos por votos para o deputado Arthur Lira gera pressão por antecipação da reforma ministerial. Pastas da Saúde e Cidadania estão na mira

A demissão do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, na quarta-feira (9), expôs a estratégia de Bolsonaro de agradar o Centrão para obter apoio político para a eleição de Arthur Lira (PP-AL) para a presidência da Câmara. Em uma conversa no grupo de WhatsApp de integrantes do governo, o ex-ministro chamou Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, de “traíra” e afirmou que este pediu a Bolsonaro para demiti-lo a fim de entregar o cargo para o Centrão, bloco parlamentar de apoio ao governo na Câmara. O objetivo de Bolsonaro é antecipar a reforma ministerial, incialmente prevista para março. Entre os prováveis ministros que poderão ser substituídos, estão o ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o da Cidadania, Onyx Lorenzoni.

A troca de cargos por votos realizada pelo governo não soou bem entre os oposicionistas, que ficaram irritados com a prática. Esse “fisiologismo” poderia inviabilizar o apoio oficial do PT a Lira. Há rumores de que poderia haver um encontro entre Lira e Lula, mas não haveria condições de se construir um acordo para o apoio de Lira. A avaliação dos partidos de oposição é de que o bloco não pode se tornar a ponte para que o governo consiga emplacar as suas escolhas para as presidências da Câmara e do Senado, e assim viabilizar a aprovação de projetos do governo. A tendência, portanto, é que os partidos de esquerda e centro-esquerda apoiem o bloco formado por Rodrigo Maia (DEM-RJ) e influenciem na escolha do nome para sucedê-lo.

Há pressão dos partidos que apoiam o governo para que seja feita uma reforma ministerial antes das eleições da presidência da Câmara e do Senado, pois assim têm mais formas de “barganhar” os cargos. Um dos partidos que podem ser beneficiados com a reforma é o Republicanos, em que estão os filhos de Bolsonaro, o senador Flávio e o vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro. Nesse caso, o atual vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira, pré-candidato a presidente da Câmara, pode ocupar um cargo de primeiro escalão, em troca se seu apoio a Lira.

Ainda não está definido se Bolsonaro vai ceder tanto espaço aos partidos. A ala que apoia o presidente desde o início está ressentida com a cessão de tantos cargos às legendas do Centrão.

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