Segundos dados do Monitor do PIB, economia brasileira teve um tombo de 4% em 2020

Segundos dados do Monitor do PIB, economia brasileira teve um tombo de 4% em 2020

Se as projeções forem confirmadas, o tombo histórico do PIB em 2020 será a maior contração desde o início da série histórica do IBGE, que começou em 1996  

O Monitor do PIB-FGV sinalizou que a atividade econômica retraiu 4% em 2020. O dado foi divulgado na sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). O resultado oficial do PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país.

“Na análise trimestral, o PIB apresentou, na série com ajuste sazonal, crescimento de 3,4% no quarto trimestre, em comparação ao terceiro trimestre, mostrando aceleração da atividade econômica no final do ano. Em relação ao quarto trimestre de 2019, o PIB apresentou retração de 0,8%”, informou a FGV.

Confirmada as projeções, o tombo do PIB em 2020 será a maior contração desde o início da série histórica do IBGE, que começou em 1996, superando a queda de 3,5% registrada em 2015.

Antes de 1696, o PIB era calculado pela FGV. Na série iniciada em 1948, as maiores quedas foram as de 1981 e 1990, quando houve uma retração de 4,3% em ambos os anos.

O governo Jair Bolsonaro gastou 4% do PIB com as 9 parcelas do auxílio emergencial, totalizando R$ 294,7 bi. O benefício chegou diretamente a 68,9 mi de pessoas, o que representa 32,2% da população e cerca de 40% das residências do país.

A alta da dívida para mitigar os efeitos do isolamento social foi necessária para evitar o aumento da extrema pobreza. O volume gasto com a crise sanitária devido a Covid-19 equivale a quase 10 anos do Bolsa Família.

2021

Segundo a última pesquisa Focus do Branco Central, os economistas do mercado financeiro reduziram a estimativa para a alta do PIB de 3,47 para 3,43%.

Indicadores têm mostrado uma desaceleração do ritmo de recuperação da atividade econômica neste começo de ano em meio ao término das medidas do auxílio governamental, desemprego elevado e preocupações com a situação fiscal do país.

“Os desafios para 2021 mostram-se grandes a partir deste cenário, tendo em vista que devido ao crescimento lento de 2017-2019 a economia não havia sido capaz de recuperar as perdas da recessão de 2014-2016. Com o choque adverso enfrentado em 2020, que ainda não foi totalmente eliminado, os resultados de 2014, pico da série histórica, parecem cada vez mais distantes de serem alcançados”, afirma Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV.