Rio de Janeiro - Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do lançamento da campanha Se é público é para todos, organizada pelo Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas (Fernando Frazão/Agência Brasil)

“Semipresidencialismo é golpe para evitar que possamos ganhar as eleições”, diz Lula

A alteração no sistema de governo para dar mais poder ao Congresso e criar a figura do primeiro-ministro a partir de 2026 tem sido defendida pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL)

Nesta terça-feira (20), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou as discussões recentes sobre a possibilidade de o Brasil adotar um sistema semipresidencialista. A ideia tem sido defendida pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). O Estadão mostrou que a discussão é uma estratégia para tentar aliviar a pressão pela abertura de processo de impeachment contra Jair Bolsonaro (sem partido).

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“Semipresidencialismo é outro golpe pra tentar evitar que nós possamos ganhar as eleições”, afirmou Lula à rádio Jovem Pan. É a primeira manifestação do ex-presidente sobre o tema. “Não dá pra brincar de reforma política, isso é coisa que tem que ser discutida com muita seriedade. Tem 32 partidos e cada um tem um interesse específico nas eleições de 2022. Cada um quer saber da sua vida, quanto vai render o fundo eleitoral… Precisamos de uma reforma na mentalidade política do país, pensarem no Brasil, e não no próprio umbigo”.

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O modelo semipresidencialista mantém a figura do presidente, eleito pelo voto direto, mas delega a chefia de governo ao primeiro-ministro.

 É ele quem nomeia e comanda toda a equipe, o chamado “Conselho de Ministros”, incluindo nesse rol até mesmo o presidente do Banco Central. 

“O impeachment sem crime, a fraude eleitoral de 2018 e o semipresidencialismo são três atos da mesma peça de teatro. A vítima é a mesma: a soberania popular. Imagine o Congresso escolher o chefe de governo”, disse o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad. A presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), foi na mesma linha: “A história ensina a respeitar a soberania do povo. E no Brasil é o presidencialismo que corresponde a isso. Chega de golpes”, afirmou.

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