Policiais americanos montam guarda enquanto apoiadores do presidente norte-americano Donald Trumb protestam em frente ao Capitólio em Washington.

Sessão que presidiu a vitória de Joe Biden foi marcada por dia caótico no Congresso americano

A sessão que foi presidida pelo vice-presidente Mike Pence contou com confrontos policiais, violação de gabinetes e salas de reuniões, e por fim quatro pessoas mortas

Foi anunciada na madrugada desta quinta-feira (7) a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais dos Estados Unidos. A sessão que certificou a vitória de Biden ficou marcada pela invasão ao Capitólio por extremistas apoiadores de Donald Trump, e quatro mortes.

A sessão foi presidida pelo vice-presidente Mike Pence que também ocupa a função de presidente do Senado. Na quarta-feira Donald Trump havia pedido ao Pence que invalidasse a votação do Colégio Eleitoral, porém o vice-presidente negou o apelo de Trump.

Pence lamentou a invasão ao Capitólio, “Para aqueles que causaram estragos em nosso Capitólio hoje: vocês não ganharam”, afirmou Pence em seu discurso na reabertura. “A violência nunca vence. A liberdade vence. Ao nos reunirmos novamente nesta câmara, o mundo testemunhará novamente a resiliência e a força de nossa democracia. E esta ainda é a casa do povo. Vamos voltar ao trabalho”.

A sessão foi interrompida após um grupo de extremistas invadiram o prédio onde funciona o Congresso americano e entraram em confronto com a polícia, o objetivo dos manifestantes era barrar a certificação da vitória de Joe Biden nas últimas eleições. Nos confrontos, em que foram violados gabinetes e salas de reuniões, uma veterana de guerra, apoiante do Presidente, foi baleada no peito e morreu horas depois.

O marido da veterana de guerra afirmou que a mulher era muito patriota, e apoiadora de Donald Trump. Segundo a polícia de Washington, mais três manifestantes morreram devido a problemas de saúde, não especificados, 52 pessoas foram presas e 14 policiais ficaram feridas.

Incentivo de Trump

Momentos antes Donald Trump liderou um comício próximo a Casa Branca, e disse que marcharia junto com os apoiadores ao Congresso. “Eu estarei com vocês. Vamos andar até o Capitólio e felicitar nossos bravos senadores e congressistas” disse Trump.

Chuck Schumer, acusou diretamente o presidente Donald Trump de incentivar o comportamento dos invasores, a quem chamou de “valentões e bandidos”. “Não se enganem, meus amigos, os eventos de hoje não aconteceram espontaneamente”, disse Schumer. “Este presidente carrega grande parte da culpa. Essa turba era em boa parte obra do presidente Trump… sua responsabilidade, sua vergonha eterna. Os eventos de hoje, certamente, certamente não teriam acontecido sem ele”.

Em suas redes sociais Donald Trump pediu que seus apoiadores recuassem da invasão do Congresso, mas sustentou sua tese de que as eleições teriam sido fraudulentas e que ele ganhou de Biden “de lavada”.

“Vocês têm que ir para casa. Precisamos ter paz, precisamos ter lei e ordem e precisamos respeitar nosso grande pessoal de lei e ordem. Não queremos ninguém ferido”, pediu Donald Trump.

Transição pacífica

Depois da formalização, Trump confirmou que haverá uma transição ordeira em 20 de janeiro, mas que isso representa o fim de um grande mandato presidencial.

“Embora isso represente o fim do maior primeiro mandato da história presidencial, é apenas o começo de nossa luta para tornar a América grande de novo”, afirmou o presidente americano ao reconhecer a derrota para Biden.

O presidente Jair Bolsonaro, grande apoiador de Donald Trump, ao interagir com apoiadores no Palácio da Alvorada, não comentou sobre os ataques ao Congresso Americano, mas afirmou que houve fraude.

“Eu acompanhei tudo hoje (quarta). Você sabe que sou ligado ao Trump. Então, você sabe qual a minha resposta aqui. Agora, muita denúncia de fraude, muita denúncia de fraude. Eu falei isso um tempo atrás e a imprensa falou: ‘Sem provas, presidente Bolsonaro falou que as eleições americanas foram fraudadas’”, pontuou.

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