Vacinação contra a covid-19 no Brasil

A previsão é que 300 mil doses de vacinas contra a covid-19 sejam entregues ao Brasil no ano de 2021

Nesta quarta-feira (9) foi informado pelo Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que as primeiras doses da vacina serão aplicadas entre dezembro e janeiro, em caráter emergencial. A vacina oferecida será a produzida pela Oxford em parceria com a empresa AstraZeneca, que também será produzida posteriormente para Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz).

As vacinas ainda não receberam o registro oficial da Anvisa, mas as empresas já mandaram os resultados prévios para a agência. A vacinação acontecerá através do Sistema Único de Saúde (SUS) gratuitamente, no momento instituições privadas não irão adquirir a vacina, pois o governo está fazendo uma compra em grande escala.

Segundo Walter Cintra, professor de Especialização em Administração Hospitalar e de Serviços e Sistemas de Saúde da FGV, “Quando o governo compra, o contrato se refere a milhões de doses. Não acredito que os laboratórios privados farão compras nessa quantidade”, opina.

Vacinação em etapas

A princípio idosos de 75 anos ou mais, profissionais de saúde e indígenas. O virologista Rômulo Neris, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), comenta que a ideia do Ministério da Saúde é vacinar pessoas que correm mais riscos de contrair a doença. “O maior grupo de risco é o de idosos. Por isso, eles encabeçam a lista. Além disso, indivíduos que apresentam maior risco de exposição ao vírus e aos grupos de risco também devem ser vacinados. Isso inclui profissionais da saúde”. ressaltou.

Em um segundo momento serão imunizados idosos com idades entre 60 a 74 anos. Na terceira etapa pessoas com comorbidades, aquelas com risco maior de complicações. Por exemplo, pacientes com doenças renais crônicas e cardiovasculares. Na quarta parte de imunizações serão vacinados os professores, as forças de segurança e salvamento. O restante da população ainda não está definido.

Reações

Até o momento apenas a vacina da Pfizer mostra reações adversas, após a vacinação em massa acontecer no Reino Unido, pessoas com algum tipo de alergia grave a medicamentos, vacinas ou alimentos não devem tomar o imunizante por enquanto.

A vacina da Pfizer apresenta que a partir da primeira dose a população já reduz os riscos de contrair a doença, a vacinação acontece em duas etapas, após a primeira dose as pessoas devem tomar uma segunda 21 dias depois.

Eficácia

A vacina da farmacêutica AstraZeneca e da Universidade de Oxford tem eficácia de 70%, segundo estudo da revista Lancet. A Pfizer relatou 95% de eficácia do produto em testes. Os resultados foram publicados nesta quinta-feira, 10. A CoronaVac ainda não liberou os resultados, mas está previsto para a semana que vem. Moderna e Sputnik V anunciaram dados de 94% e 92%, respectivamente.

O Brasil já tem acordos fechados com algumas empresas, cerca de 300 milhões de doses estão garantidas para 2021. Acordos foram fechados com o laboratório AstraZeneca e a Universidade de Oxford prevê 260 milhões de doses. Outros 42 milhões chegarão do consórcio mundial Covax Facility a vacina não está definida. As outras 70 milhões são da americana Pfizer.

O epidemiologista Pedro Hallal, reitor da Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, afirma ser um número razoável, “São números razoáveis, mas me preocupa não ter nenhuma indicação sobre a Coronavac, que está pronta, e também nada sobre a vacina da Moderna. Quanticamente os números parecem adequados, mas, na prática, eu não sei quando essas vacinas estarão disponíveis para a população brasileira, que é o que mais importa”, pontuou Pedro.

São Paulo

Até o momento, o cronograma de vacinação no Estado de São Paulo acontecerá de forma diferente dos outros lugares do País. A vacina utilizada na campanha paulista será a Coronavac, que está sendo produzida pelo Instituto Butantã. Porém o ministro Pazuello já afirmou que o Plano Nacional de Imunização (PNI) não pode ocorrer de forma paralela.

Por enquanto o governador João Doria, mantém o seu plano atual aberto, e o cronograma será feito da seguinte forma.

1ª dose

25/01 – Profissionais da Saúde, indígenas e quilombolas

08/02 – Pessoas com 75 anos ou mais

15/02 – Pessoas com 70 a 74 anos

22/02 – Pessoas com 65 a 69 anos

01/03 – Pessoas com 60 a 64 anos

2ª dose

15/02 – Profissionais da Saúde, indígenas e quilombolas

01/03 – Pessoas com 75 anos ou mais

08/03 – Pessoas com 70 a 74 anos

15/03 – Pessoas com 65 a 69 anos

22/03 – Pessoas com 60 a 64 anos

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