Voto impresso recebe apoio da maioria dos deputados em comissão e deve avançar na Câmara

Adversários do governo veem na impressão do voto uma possibilidade de auditoria para frear o discurso de fraude eleitoral adotado por Bolsonaro

Levantamento do Estadão/Broadcast com atuais 32 deputados do colegiado mostra que 21 são favoráveis para que a discussão sobre o voto impresso nas eleições da matéria avance na Câmara. Quatro deputados são contrários e sete estão indecisos. Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), passou quatro horas nessa quarta-feira (9), debatendo o assunto com os parlamentares.

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O PT e a Rede são os únicos partidos que foram contrários à medida na comissão. A aprovação no colegiado é o passo mais importante para a proposta, sem a qual a discussão não chegaria aos plenários da Câmara e Senado.

Na quarta, o presidente Jair Bolsonaro repetiu que a disputa de 2018, quando se elegeu, foi fraudada. “A fraude que existiu me jogou no segundo turno. Tenho provas materiais disso”, disse em evento com líderes evangélicos em Anápolis (GO).

A proposta da Emenda à Constituição (PEC) em discussão na Câmara é da deputada Bia Kicis (PSL-DF). O texto não acaba com a urna eletrônica, mas obriga a impressão de comprovantes físicos de votação. Dessa forma, o eleitor poderá conferir se o recibo em papel coincide com o que digitou.

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Barroso defendeu o sistema atual de votação sob o argumento de que nunca houve qualquer caso de fraude comprovada na urna eletrônica desde que foi adotada, em 1996.

“A introdução do voto impresso seria uma solução desnecessária para um problema que não existe com o aumento relevante de riscos”, afirmou. “O que nós fizemos com o sistema eletrônico de votação foi derrotar um passado de fraudes que marcaram a história brasileira no tempo do voto de papel”.

De acordo com Barroso, se aprovada, haverá dificuldades operacionais para colocar o novo formato em prática já na disputa e 2022, mas que a justiça eleitoral fará o possível para cumprir o que os parlamentares decidirem. “Se passar, teremos de fazer uma licitação para comprar as urnas. Não é procedimento banal, não é fácil. O tribunal tem boa fé e vai tentar cumprir, se for essa decisão, que eu torço para que não venha,  mas se vier vamos tentar cumprir (em 2022)”

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