Wassef, ex-advogado da família Bolsonaro, é indiciado por injúria racial

O caso aconteceu em novembro de 2020. O advogado negou que tivesse chamado a funcionária da pizzaria de macaca e que ela “não é negra e mentiu”

Nesta terça-feira (9), a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) indiciou Frederick Wassef, ex-advogado da família Bolsonaro. A acusação é de injúria racial. Em novembro, ele teria chamado uma atendente do Pizza Hut de “macaca”. O inquérito foi concluído com o depoimento da vítima, a garçonete Danielle da Cruz de Oliveira (18), e de outras três testemunhas que também trabalhavam na pizzaria.

Em nota, Wassef afirma não ter sido informado sobre o indiciamento e diz ser alvo de denunciação caluniosa.  “Não ofendi a funcionária do Pizza Hut e ela não é negra. Ela se fez passar por negra e mentiu sobre tudo o que disse. Sou vítima do crime de denunciação caluniosa.”

Ao jornal Correio Braziliense, Wassef disse não ter conhecimento do indiciamento e que a denúncia não apresenta qualquer “fato novo”. O advogado afirmou que a vítima não é negra e que foi “contratada para inventar a história”, junto às demais testemunhas. “Eu fui a verdadeira vítima”, respondeu Frederick Wassef.

O advogado acrescentou que a denunciante “demorou três dias para fazer o boletim de ocorrência” e que não houve “qualquer investigação da história”. “Estou extremamente revoltado”.

Em depoimento à polícia, a funcionária relatou que foi chamada de “macaca” após o advogado reclamar que a pizza “não estava boa”. Segundo a jovem, o advogado disse: “Você é uma macaca! Você come o que te derem”.

A funcionária se sentiu “constrangida” e “muito humilhada”. Outros funcionários confirmaram o relato e disseram que ele era um cliente que já havia causado problema no estabelecimento.

“Costumeiramente comporta-se de maneira deselegante com os funcionários do estabelecimento, reclamando do atendimento e da qualidade da pizza. Utilizando palavras de baixo calão”, diz trecho de um dos depoimentos.

De acordo com o boletim de ocorrência, o advogado já teria ofendido Danielle de forma verbal no mês passado. Ele teria dito, na oportunidade, que não queria ser atendido pela mulher: “Você é negra e tem cara de sonsa e não vai saber anotar o meu pedido”.

Íntegra da nota de Frederick Wassef

“Não tenho conhecimento de indiciamento. Não ofendi a funcionária do Pizza Hut e ela não é negra. Ela se fez passar por negra e mentiu sobre tudo o que disse. Sou vítima do crime de denunciação caluniosa. Peticionei no inquérito requerendo que eu fosse intimado para depor e provar que eu sou a verdadeira vítima desta farsa montada.

Também pedi na petição as imagens do circuito interno de segurança e estou aguardando a intimação para mostrar o crime que sofri. Me causa estranheza indiciar uma pessoa desta forma, sem ouvir a outra versão e antes de finalizar as investigações sem elementos de prova.”

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